25.8.08
CARTA DE UM RECEM DIVORCIADO
Querida Ana:
Eu sei que o Juiz disse que não deveria haver contato entre nós, durante o nosso processo de divórcio, mas eu não consigo agüentar mais. No dia em que você me deixou, eu jurei que nunca mais lhe dirigia a palavra. Mas isso era só mágoa dentro de mim. Ainda assim, eu nunca quis ser o primeiro a ceder.
Na minha fantasia, era você que sempre que voltava rastejando para mim. Acho que o meu orgulho precisava disso. Mas agora vejo que o meu orgulho me custou uma série de coisas. Estou farto de fingir que não preciso de você. E já não me importo de ceder. Não me interessa qual de nós cederá, desde que um de nós o faça. Talvez seja a hora de deixarmos os nossos corações falarem mais alto do que a nossa dor. E isto é o que o meu coração diz... Não há ninguém como você, Ana. Eu lhe procuro nos olhos e seios de cada mulher que vejo, mas elas não são você. Elas não chegam sequer aos seus pés.
Há duas semanas, encontrei uma mulher em um bar e levei-a para casa comigo. Não digo isto para lhe magoar, mas apenas para ilustrar a profundidade do meu desespero. Ela era nova, talvez 19, com um daqueles corpos perfeitos que só a juventude e talvez uma adolescência toda dentro de uma academia de ginástica podem dar. Quero dizer, um corpo perfeito. Seios que não dá para acreditar e uma bunda tipo carapaça de tartaruga, redondo e rídigo. O sonho de qualquer homem, não é? Mas enquanto estava sentado no sofá a ser chupado por esta jovem deslumbrante, eu pensei, vejam só aquilo que consideramos importante nas nossas vidas. É tudo tão superficial. O que é que um corpo perfeito significa? Será que a torna melhor na cama? Bem, neste caso, sim. Mas você vê onde quero chegar? Será que isso a torna uma pessoa melhor? Será que ela tem um Coração melhor do que a minha, moderadamente atraente, Ana? Duvido. E nunca tinha pensado nisso antes. Não sei, talvez esteja amadurecendo um pouco. Mais tarde, depois de lhe ter despejado uns decilitros de iogurte pela garganta, dei por mim "porque é que me sinto tão esgotado e vazio?" Não era apenas a sua técnica perfeita e a sua fome de sexo e luxúria, mas algo diferente. Um sentimento de perda. Porque é que me sentia tão incompleto?
Então percebi. Não senti a mesma coisa porque você não estava lá, Ana, percebe o que quero dizer? Nada significa nem tem o mesmo sentido sem você. Por amor de Deus, Ana, estou enlouquecendo sem você. E tudo o que faço me lembra você. Lembra da Carolina, aquela mãe solteira que encontramos no ginásio, no ano passado? Bem, ela passou aqui em casa na semana passada , com um tacho de lasanha. Ela disse que imaginava que eu não devia estar comendo direito sem uma mulher por perto. Só mais tarde é que eu percebi o que ela queria dizer com aquilo, mas essa não é a verdadeira história.
De qualquer maneira, bebemos uns copos de vinho e passado um tempinho estávamos jogando duro no nosso velho quarto. E a devassa é um verdadeiro animal na cama. Ela fez tudo, sabe, assim como uma verdadeira mulher faz quando não está preocupada com o peso ou a sua carreira ou se os filhos vão ouvir ou não. E de repente ela viu aquele velho espelho giratório que está em cima da cômoda que era da sua avó. Então ela agarrou no espelho e colocou-o no chão, de maneira a que nos podíamos observar. Era uma sensação espetacular ver tudo por aquele ângulo, mas isto me deixou triste também.
Tudo porque não consegui deixar de pensar, "Porque é que a Ana nunca pôs o espelho no chão? Temos esta cômoda há 14 anos, ou coisa que o valha, e nunca o usamos desta forma." No sábado, a sua irmã passou aqui com a ordem judicial que me proíbe de me aproximar de você. Quero dizer, a Paula ainda é uma garota, mas tem uma cabeça muito madura e tem sido uma verdadeira amiga para mim durante estes tempos difíceis. Ela tem-me dado excelentes conselhos sobre você e sobre as mulheres em geral. Ela está realmente empenhada em que nós fiquemos juntos novamente, Ana. Está mesmo. Então, numa destas ocasiões, estávamos bebendo uns drinks dentro de uma banheira de espuma e a falando dos tempos mais felizes. Aqui está uma adolescente que tem o mesmo DNA seu e eu só consigo pensar no quanto ela se parece com você aos seus 18 anos. E isso quase me faz chorar.
Depois, acabei descobrindo que a Paula gosta muito de sexo anal, o que me faz lembrar do número imenso de vezes que lhe pressionei para que experimentasse isto, e que talvez pudesse isto ter alimentado a nossa paixão.
Ana, será que você não consegue perceber que, mesmo quando estou metendo por trás em sua irmã, tudo o que consigo fazer é pensar em você? É verdade, Ana. E no fundo do seu coração, você sabe disso. Não acha que podíamos começar de novo? Acabarmos com as amarguras, com os ódios e começar tudo do zero? Eu acho que podemos. Se você sente o mesmo, por favor, por favor me escreva, caso contrário, pode dizer onde está o controle remoto da televisão?
João
ACREDITE, O AMOR EXISTE....